Primeiro, é importante compreendermos o que é o dinheiro e o que é a felicidade. O dinheiro é somente uma ferramenta, nada mais. Nenhuma ferramenta constrói algo sozinha, é preciso alguém que a use. Dependendo do conhecimento e do dom de quem a usa, a construção final será diferente. Então, a ferramenta, por si só, é vazia e inútil. Uma ferramenta sozinha não tem vida, nem capacidade para construir, erguer ou alterar. Aquilo que a ferramenta constrói e finaliza depende unicamente de quem a usa. O dinheiro é uma ferramenta. Sozinho, não traz felicidade, nem alegria ou melhoria. Por isso, é que existem ricos infelizes e pobres felizes.
Aquilo que a ferramenta ajuda a construir diz mais sobre quem a usa do que sobre a própria ferramenta. O dinheiro apenas responde ao que temos dentro de nós. No fundo, ele amplia o que somos. Aqueles que sentem um vazio, vão direcionar o seu dinheiro, mesmo que muito, para reforçar este vazio. Então conhecemos ricos somente em dinheiro que vivem numa enorme mansão que parece reforçar o seu sentimento de solidão e vazio, por exemplo. Se sou feliz, o dinheiro vai responder e amplificar esta felicidade. Vai permitir-me mais liberdade e conforto.
O dinheiro só muda aqueles que não se encontraram. Esses, que desconhecem a essência, deixam-se ser usados pelo dinheiro ao invés de o usarem. Então, perdem-se ainda mais de si mesmos. Quando estamos conscientes do lugar do dinheiro, do seu verdadeiro papel e propósito, então não o colocamos acima de nós. Na espiritualidade, muitas supostas técnicas de abundância e prosperidade são crenças onde o dinheiro é visto quase como um Deus, sendo o tópico principal da conversa da prosperidade. A real abundância não está diretamente relacionada com dinheiro, ele é uma consequência. Se a verdadeira e profunda abundância estivesse relacionada com dinheiro, quem o tinha seria abundante na existência, feliz, alegre e pleno. Isso não acontece. A abundância e a prosperidade começam dentro de ti e o dinheiro está lá fora. Tu não és o dinheiro, nem o dinheiro te pode ser. Por isso, é que ele existe separado de ti. Quem vive em torno do dinheiro é pobre. Aquilo que é verdadeiramente valioso na existência, não pode ser comprado nem vendido. Ter muito dinheiro não é sinónimo de ser rico.
O dinheiro é importante, isso é um facto. Ele possibilita muitas coisas úteis e necessárias num mundo material, como saúde, educação, viagens, lazer. Contudo, não nos podemos esquecer que ele não tem uma relação com a verdadeira felicidade. Não podemos confundir felicidade com prazer. O dinheiro até pode comprar prazer, jamais felicidade. Tudo o que é externo pode proporcionar prazer, jamais felicidade. Roupa nova, carro novo, viagem nova, restaurante novo… A grande diferença entre prazer e felicidade, é que o prazer acaba. É passageiro. Existe, é bom, mas não é duradouro.
As crianças, sem contactarem com o dinheiro, são felizes. Porquê? Porque ele não é de todo necessário para obter a felicidade.
Então, o dinheiro pode levar-nos à essência? Não.
A essência pode facilitar a obtenção de dinheiro? Sempre.
Preciso da essência para ganhar dinheiro? Não.
Se tiver muito dinheiro, irei sentir-me pleno, abundante e livre? Não.









