Esta é uma questão estranha. Muito estranha, realmente. Mas também é uma questão que brota frequentemente. Quase nunca conhecemos a terra onde esta questão consegue brotar. Talvez porque estejamos a questionar o exterior e não a escutar o interior. A verdade é que ela não nasce nos terrenos férteis da alma, mas nos terrenos áridos do ego.
Sempre que sentires que desaprendeste a felicidade, sabe que caminhaste até ao território egoico. É bom saberes que foste sozinho até lá, pois assim sabes como de lá sair: é só ir por onde vieste. Tu já conheces bem esse caminho.
Na natureza, uma rosa não pergunta como ser rosa, ela apenas é. O sol não desaprende a iluminar, ele simplesmente ilumina. A chuva não se perde do caminho, ela apenas cai em direção ao solo. A nossa alma também não questiona como ser, ela simplesmente é.
Alguns perguntam sobre como ser feliz, mas talvez a real questão seja como não o ser. A felicidade, o amor, a união e a compaixão são naturais em nós. Esta é a nossa essência. Por mais que sintamos que as desaprendemos, isso não é possível. A alma é. Ela não deixa de ser. Nem isto, nem aquilo, nem aqueloutro. Não há como desaprender o que nunca se aprendeu. A nossa essência não aprendeu o amor, a empatia ou a união, ela é tudo isso.
Se te afastares de ti e te envolveres demasiado com tudo o que te rodeia e não és, é natural que deixes de ver tão bem tudo o que está em ti. Afinal, não é aí que está o teu foco. Mas é claro que não é por te desconectares de ti que deixas de ser tu. A árvore não deixa de ser árvore só porque está inclinada para o lado esquerdo ou para o direito.
Quando sentires que desaprendeste a existência, a simplicidade e a felicidade, sabe apenas que não estás inclinado para a alma, mas para o ego. Prioriza-te, senta-te a sós contigo e reconecta. A alma que tudo é, sabe como te relembrar do viver. Tudo o que precisas é de estar presente nesta montanha-russa que é estar vivo. Em cada subida e descida.









