Pecado — O Que Significa?

Pecado — O Que Significa?

Jesus utilizava algumas vezes a palavra pecado. Esta palavra foi mal interpretada ao longo dos séculos, alimentando exatamente o oposto do seu verdadeiro significado. Rapidamente associamos a palavra pecado a culpa, falha, desmerecimento e inferioridade. Contudo, se analisarmos profundamente a vida e a história de Jesus, compreendemos que não alimentava disso. Ele não questionava ninguém sobre o seu passado ou sobre as suas falhas. Nada disso era importante para ele. Jesus era um homem livre, que libertava os outros. Libertava-os de quê? De si mesmos. Da voz da mente. Da voz do ego.

Para Jesus, a história de vida de alguém não tinha valor. Pelo menos, não tanto quanto o momento presente desse alguém. Jesus aproximava-se dos prisioneiros da mente e dizia-lhes: «Levanta-te e vai!». Ele não pedia punições ou confissões. Ambas são inúteis e ele sabia disso.

O pecado é um sentimento de separação de Deus. Nada mais. Se Jesus alimentasse o passado de quem o procurava, estaria a alimentar esta sensação de separação. A plenitude da existência nasce da unidade, jamais da separação. Pecamos quando sentimos que estamos separados, afastados ou distantes de Deus. Não há como nos separar de Deus, pois nós também o somos. Tal como disse Jesus: «Vós sois deuses». O sentimento de separação (ou pecado) surge quando nos esquecemos que somos Deus. Com este esquecimento, surge também a ansiedade, a preocupação, a mágoa, a culpa e o ressentimento. Todo o tipo de desequilíbrios surgem deste esquecimento.

Começamos então a preocupar-nos em demasia connosco e com a nossa condição de vida. Como consequência, ficamos insatisfeitos. Queremos sempre algo mais e melhor. Nunca estamos verdadeiramente felizes e agradecidos. Nunca estamos verdadeiramente no aqui e no agora.

Muitos dizem que ele morreu por nós, para a remissão dos nossos pecados, mas poucos sabem o que estão a dizer. A profundidade liberta, pois somente ela é verdade. Jesus não salvou individualmente cada um de nós, mas mostrou-nos a todos o caminho da salvação ou iluminação. Precisamos de ser salvos do nosso próprio ego e apenas a nossa própria alma o pode fazer. Ninguém o fará por nós. Nem mesmo Jesus, o Mestre dos Mestres o fez.

O caminho que ele nos revelou foi o da ausência de medo. O medo é a voz do ego e manifesta-se de várias formas. Há medo da rejeição, medo da solidão, mas o maior de todos é, sem dúvida alguma, o medo da morte. Jesus sabia disso e, então, enfrentou a morte. Mostrando que até a mesma é fraca perante a verdade e a vida.

Contudo, o medo da morte não se refere apenas à morte física. Ele é bem mais profundo que isso. Por que razão não atingimos facilmente a iluminação? Por que precisamos de vidas atrás de vidas até ascendermos? Porque temos medo de morrer. E só quando morrermos é que podemos viver. Tu precisas de te perder no amor de Deus para que ele se possa manifestar em ti. Se estiveres muito ocupado a seres tu, com os teus problemas terrenos, ressentimentos e desejos, não terás tempo para simplesmente seres. Para simplesmente viveres. E é nessa simplicidade que Deus vive através de ti. Nesse desapego completo do passado. Nessa morte profunda da tua história e das tuas expectativas. Só assim és verdadeiramente livre. Só assim és.

A morte só nos assusta se não a compreendermos. Nenhum grande mestre temia a morte. Ela não é uma porta para o fim. É antes uma porta para o início. Se a morte for atravessada em consciência, ela deixa de existir. É através da morte que há eternidade.

São Francisco de Assis disse: «É morrendo que se vive para a vida eterna». Ele não se dirige à morte física. Ele dirige-se à morte mental, tal como Jesus se dirigiu. A vida é eterna, mas nem todos a vivem. Para VIVER a vida eterna, é preciso transcender a mente. E a mente só existe no passado e no futuro, nunca no presente.

Só há pecado onde há uma mente que nos usa, não quando somos nós a usar a mente. A sensação de separação só ocorre quando é a mente que governa e não a alma. Onde há separação, há desequilíbrios e desordem. Onde há unidade, há amor.

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