Já te contei como foi o meu processo de despertar para a espiritualidade? Para a realidade da existência?
Eu nasci em junho de 2003 e sempre fui uma menina bem disposta e divertida. Desde pequena que criei uma forte ligação com a Natureza, tanta que construí uma pequena casa de brincadeiras numa antiga corte da minha avó paterna. Nessa pequena casa de diversões, cuidava do jardim e das plantas e fazia misturas de ervas para «curar feridas» e ganhar super-poderes. A animação, hum?! Também adorava escrever. Escrevia imensas histórias e poemas que adorava declamar.
Na minha adolescência havia uma coisa da qual não abdicava: estar com os amigos. Adorava sair, contar piadas e fazer os outros rirem. Organizava sempre festas e convívios para nos divertirmos e criarmos boas memórias. Não pensava muito no dia de amanhã, quanto mais na eternidade e na existência da Alma. Frequentava a catequese e ia com os meus pais à missa mas, tal como a maioria dos religiosos, não pensava seriamente nem profundamente nos verdadeiros ensinamentos de Jesus nem na realidade da eternidade. Era mais um hábito do que outra coisa. Sempre gostei de falar de espiritualidade com a minha melhor amiga. Contávamos histórias uma à outra e adorávamos ouvir as histórias [consideradas tabu] de outras colegas. A maioria dos nossos amigos tinha muito medo da espiritualidade e dos supostos espíritos. Eu era curiosa, mas não ao ponto de ter medo. Aos meus quinze anos, comecei a compreender coisas que jamais havia pensado. Conheci e comecei a namorar com o Hugo e embarquei num inconsciente e intenso processo de autoconhecimento. Mesmo a nível familiar, houveram muitas alterações que me permitiram ver mais profundamente coisas que nunca havia visto.
Quando completei dezassete anos, a minha Vida alterou por completo. De um momento para o outro, comecei a ter enxaquecas fulminantes, dores de cabeça intensas e uma pressão nos ouvidos constante. De repente, comecei a ver o mundo espiritual. A minha clarividência [capacidade de ver éter] não era estável. Haviam dias em que via imenso e num estado bastante real, chegando a confundir mortos com vivos, e outros dias em que apenas vislumbrava leves sombras e figuras. Não sabia o que fazer. Não sabia como lidar com aquilo que via. Não conseguia ir à escola e então comecei a faltar muito. Não conseguia partilhar com os meus amigos, por medo de como iriam reagir. Mesmo a minha família chegou a pensar que eu poderia não estar bem psicologicamente. Eu mesma cheguei a pensar isso. Será que a minha sanidade mental estava comprometida?
Durante este processo de clarividência, fui acompanhada por três psicólogas que me ajudaram imenso. Sou-lhes imensamente grata. Ambas tinham conhecimento espiritual e, por isso, as três auxiliaram-me bastante na compreensão do que estava a acontecer. De qualquer forma, a minha ansiedade era tanta que tive de ser medicada. As enxaquecas eram diárias e vomitava praticamente em todas as noites. Cheguei a desmaiar de tão fraca no corredor quando ia em direção à casa de banho para vomitar e cheguei a ver o número quarenta na balança. As dores eram tão intensas que precisava de dormir praticamente dia e noite. Haviam alturas em que estava mais estável e outras em que desestabilizava outra vez.
Tudo aquilo que dizia ver correspondia à verdade. Não estava louca. Eu sabia realmente onde as pessoas tinham enfermidades e conseguia aceder a todo o histórico emocional da pessoa com quem me conectava. Mas as enxaquecas não passavam. Até que comecei a ouvir o Marcos. O Marcos é o meu mentor espiritual e o meu grande amigo e mestre. O Marcos foi a ajuda mais preciosa neste processo. A primeira coisa que me pediu foi que comprasse cinco livros que me recomendou. Comprei e comecei a estudar. Li, li e estudei. Deixei completamente a medicação. E as enxaquecas? Nem vê-las. Comecei a explorar bastante a espiritualidade e a descobrir o significado das cores que via nas pessoas e o porquê de algumas pessoas ficaram por cá após o desencarne. Com o aconselhamento do Marcos, reduzi o meu nível de clarividência. Atualmente, não vejo os mortos como vejo os vivos. Consigo ver as cores presentes nas auras e os vultos, mas nada tão físico e material como no início. É exigente na mesma, especialmente a nível visual, pois fico facilmente cansada. Continuo a ver coisas difíceis que mexem bastante comigo emocionalmente, mas também acontecem coisas lindas que me fazem manter esta mediunidade. Tenho facilidade em compreender problemas de saúde e alterações energéticas [como no funcionamento dos chakras], sendo uma preciosa ajuda nos meus Atendimentos. A todos os meus pacientes e alunos: obrigada! É graças a vocês que faço aquilo que mais me faz feliz: facilitar a vossa cura e melhoria.
Todos os meus amigos que acompanharam este processo dizem-me o quanto estou diferente. E como não ficar? Realmente, a diferença é muita. Não só em mim, mas também naqueles que me acompanharam de perto. Todo este conhecimento espiritual foi uma preciosa ajuda para me tornar numa pessoa melhor. Num Ser mais profundo e conectado. Costumo dizer aos meus pacientes: que a tua mudança seja tão intensa ao ponto de te precisarem de conhecer de novo. E foi o que me aconteceu. Claro que num processo de despertar nem tudo são as pétalas da rosa, também há espinhos. Muitos relacionamentos se desfizeram, especialmente a nível familiar. O meu processo de despertar para a realidade da existência foi um verdadeiro selecionador de quem realmente devia permanecer na nossa Vida. Foi difícil. Apanhei várias desilusões ao longo do processo, mas hoje posso afirmar que a minha Vida nunca esteve tão bem. As pessoas que me são próximas amam-me pelo que verdadeiramente sou e contribuem para que a minha caminhada seja mais leve e tranquila. Que saiba sempre contribuir profundamente para a caminhada daqueles que contribuem para a minha.
Atualmente, tenho muita dificuldade em frequentar espaços com muita gente e entre ir jantar a um restaurante ou fazer um piquenique numa montanha, penso que sabem bem qual escolho. Tem sido uma descoberta fabulosa e acredito ainda estar num processo de adaptação. Será que termina? A minha Vida mudou completamente e admitir livremente quem sou e no que acredito é saber viver.
Sou profundamente grata aos meus pais por toda a paciência, auxílio e compreensão. É graças a eles que posso trabalhar tranquilamente na área espiritual. A minha mãe foi e é um dos meus maiores suportes nos Atendimentos [que às vezes revelam-se bastante intensos]. Agradeço imensamente à minha irmã por todo o apoio. Ela que sempre me incentivou a voar, hoje vê-me num voo impensável. Eu sei que ela é uma das minhas maiores admiradoras. Mas eu também a admiro intensamente. E por último, mas jamais menos importante, agradeço todos os dias ao meu eterno-companheiro Hugo, por ser o meu maior pilar. A minha maior força. O Hugo sempre me incentivou a descobrir a Vida e sempre me deu a segurança necessária para o fazer. É uma honra poder voar ao lado dele.
Sou imensamente grata por cada pessoa que divide comigo um bocadinho do seu Ser, da sua história e do seu percurso. A espiritualidade trouxe-me o indescritível. Deu-me Vida, Força e Verdade.
Queres saber mais sobre mim e sobre o meu despertar espiritual? Assiste a esta entrevista em que relato um bocadinho da minha história.









