Toda a História da humanidade tem perigo e riscos envolvidos nela. A capacidade de arriscar ajudou a criar a era da informação que atualmente vivemos. Foi preciso partir para o desconhecido vezes e vezes sem conta para que se tornasse conhecido.
Hoje em dia, parece-nos difícil encontrar a escuridão, o desconhecido. Sentimos que conhecemos muito e portanto, vivemos desinteressados. Nos tempos atuais, muitos acreditam que para viver e embarcar no desconhecido, precisam de correr perigo. Desportos radicais como escalada ou esgrima, ajudam o ser humano a contactar com a adrenalina. A adrenalina é a energia mais densa do planeta Terra, a mais instintiva. Possui alguma vantagem? Leva-nos a um estado de presença, onde a mente se silencia. Na escalada, um passo errado pode levar à morte. A mente não tem outra opção senão silenciar-se. Os ruídos externos e internos transformam-se em presença absoluta. Não há outra opção. Tu precisas de estar no momento, não há tempo sequer para pensar. Tudo o que existe é ação. Ação constante.
O ser humano tem uma sede instintiva de silenciar a mente. E procura fazê-lo de imensas formas. Passa imenso tempo nas redes sociais, envolvido pelas histórias, imagens e situações que vê. Adora assistir televisão. Fica mergulhado no programa, série ou filme e esquece-se de tudo o resto. Vídeo-games, álcool, drogas e ansiolíticos… Tudo o que referi silencia a mente, reduz o seu movimento comum.
No fundo, ninguém procura as redes sociais por si só, muitos temos até consciência do quão inútil podem ser. É o silêncio mental que nos motiva. Essa é a nossa maior recompensa.
Silenciar a mente é bom. Quando estamos absorvidos por um filme, não pensámos no seu propósito, no que temos de fazer amanhã ou no que nos aconteceu ontem. Estamos simplesmente ali, inteiros, no agora.
Contudo, embarcar num profundo estado de presença é diferente de estar abstraído do mundo. Há uma grande diferença entre os dois. A televisão, as drogas, os jogos não conseguem criar a verdadeira presença. Porque eles apenas nos conseguem trazer para um nível abaixo da mente. O profundo estado de presença leva-nos acima da mente.
Como não gostar de quem somos? A única capacidade da alma é testemunhar, observar. E só a conseguimos abraçar plenamente quando a mente se silencia. Podemos acessar a nossa quietude interior de várias formas. Quando contemplamos uma paisagem ou a beleza presente numa flor, a mente, por alguns instantes, também se silencia. Tu podes escolher conscientemente este estado de presença. Pode escolhê-lo no teu dia-a-dia, sem precisares de fazer escalada ou praticar esgrima. O perigo deixa de ser vantajoso quando te desprendes dele. Quando não precisas do perigo ou da adrenalina para atingir o que eles te conseguem dar, então encontraste o verdadeiro estado de presença. Quando o entretenimento é só um acréscimo ao estado de presença que já és, sabes que estás a viver.









