Qual é a Diferença entre um Materialista e um Espiritualista?

Qual é a Diferença entre um Materialista e um Espiritualista?

A diferença entre ambos é realmente enorme. Não há como confundir. Aquilo que distingue um espiritualista de um materialista não tem nada a ver com posses. Não é por abdicarmos do mundo e das coisas mundanas que nos tornamos santos. Bem pelo contrário. O mérito do despertar não é fazê-lo isolado do mundo. Das situações do mundo. Das experiências do mundo. O mérito, a verdadeira mudança, só ocorre quando despertamos no mundo. Juntamente com ele. Então, nós vivemos no mundo, mas não o somos. Estamos nele, mas não nos fundimos. Por isso é que Jesus reforçou a importância de estar no mundo sem ser do mundo.

Associamos a santidade à negação da vida na Terra. Parece que é realmente impossível viver neste mundo e ser-se santo. E é aqui que mora toda a confusão entre o materialismo e o espiritualismo.

Mas a diferença entre um materialista e um espiritualista não tem absolutamente nada a ver com usar roupa nova ou com andar nu. Não tem nada a ver com lidar com dinheiro ou fazer votos de pobreza. Não tem nada a ver com passear pelas lojas ou refugiar-se do mundo. Não podemos cair nesta ilusão de que algo lá fora, exterior a nós, vai definir o nosso estado interno. É completamente ao contrário. A partir do momento em que despertamos, em que somos, nada lá fora nos conseguirá definir.

Então, qual é a real diferença? Ela não está nas posses, no dinheiro ou na riqueza. Está na transformação. É tudo somente uma questão de transformação.

O materialista transforma tudo em coisas. Coisas sem vida. Sem emoção. Sem cor. Pode até se tratar de uma pessoa, ele irá transformá-la numa coisa. Num objeto. Num acessório. Não há mais vida ali. Só a inexistência dela. Tudo perde a poesia, o sabor, a beleza. No mundo de um materialista, não há espaço para o coração. A vida não mais existe. Tudo o que há é morte, indiferença, desprezo.

O espiritualista transforma tudo em pessoas. Até os objetos se transformam em seres. Passam a pulsar. A vibrar. A viver. Até uma pedra passa a ter coração. Um coração que fala, que conversa, que partilha e ensina. Uma simples planta transforma-se numa pessoa. O espiritualista quer saber como a planta está. Toca-lhe. Sente-a. Escuta-a. Compreende-a e cuida amorosamente dela. Toda a vida passa a ter cor. Tudo é uma dança. Uma poesia. Há Deus em todo o lado. Até um carro se torna num ser. Ele cuida do carro com todo o carinho e atenção. Está atento ao carro e às suas necessidades. A dedicação e o carinho moram em cada lugar. Não existem mais objetos sem vida. Tudo pulsa. Tudo fala. Tudo vibra.

Um espiritualista é um existencialista. Ele não se prende somente àquilo que é considerado espiritual ou santo. Ele abraça a existência, com tudo o que ela é. Com tudo o que ela significa. A palavra espiritualidade tem sido desrespeitada e mal interpretada. Daí preferir a palavra existencialista. Mas, no fundo, não há diferença. Aquele que despertou para o espírito, abraçou a existência. Somente aqueles que despertam estão no mundo, sem serem dele. Estão completamente no mundo, saboreiam-no, vivenciam-no, mas não o são porque o transcendem. O mundo existe para que o transcendamos. Nada mais. E para transcender algo, precisamos de estar nesse algo. Um espiritualista está no mundo e, estando no mundo, dá-lhe vida. Tudo é vida. Tudo é uma dança. Deus mora numa pedra, num carro, numa camisola, numa flor, numa brisa… é indiferente. Toda a diferença, tudo o que separava e diferenciava umas coisas das outras desapareceu. Tudo é belo, único e divino.

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