Foi Assim que Perdi a Vida, Perdendo o Agora.

Foi Assim que Perdi a Vida, Perdendo o Agora.

Cheguei ao outro lado. Não como gostaria ou como era suposto, mas como sabia. Dei o meu melhor. Tropecei nas armadilhas da minha mente. Caí nos vales sombrios dos meus remorsos e das minhas expectativas. Ainda hoje, há quem diga que fui corajoso e há também quem diga que fui cobarde. Já se passaram uns anos desde que morri e posso afirmar que não fui nem corajoso nem covarde. O suicídio não é um ato de coragem nem de covardia, é um ato de sofrimento e inconsciência. Mesmo os que planeiam e executam a própria morte são inconscientes.

Também disseram que usei a morte como fuga, que fugi da vida. Lá no fundo, foi da morte que tentei fugir. Da morte que estava a acontecer dentro de mim. Só não sabia que a morte não se resolvia com mais morte. Apenas a vida é o caminho, o verdadeiro e único caminho.

Nunca quis terminar a vida por si só, sempre procurei terminar a dor. Tudo o que desejava era acabar com a mágoa, com o sofrimento e com a angústia. Queria acabar com a dor quando era a dor que acabava comigo. Já estava morto por dentro, a morte do corpo foi a última a acontecer. Hoje sei que queria viver. Tinha sede da vida, mas não sabia como a agarrar. Sempre que tentava agarra-la, parece que me escapava. É assim que o suicídio começa, queremos algo que sempre esteve connosco, que nunca esteve separado. Esquecemo-nos de quem somos.

A alegria esteve sempre comigo, eu é que a procurava por aí. Procurei-a no trabalho, na minha família e amigos, no meu relacionamento. Até a procurei na minha vida financeira. Agarrei-me às decepções do passado e às ilusões do futuro. Foi assim que perdi a vida, perdendo o agora.

Aqueles que escolhem morrer não escolhem a morte, apenas não sabem escolher a vida. A vida que sempre foram.

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